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No alto da colina, um século de fé e encontros

  • 23 de abr.
  • 4 min de leitura

Cristo Redentor de São Cristóvão, patrimônio centenário da cidade, segue como referência de fé e identidade local.



Há pouco mais de um século, no alto da colina São Gonçalo, em São Cristóvão, uma nova paisagem

começava a tomar forma. A construção do Cristo Redentor teve início em 1924, durante o governo de Graccho Cardoso, que encomendou o projeto ao arquiteto italiano Bellando Belandi, um dos nomes inovadores da arquitetura sergipana no século XX. Dois anos depois, em 24 de janeiro de 1926, o monumento foi inaugurado, tornando-se, segundo pesquisadores da Faculdade de Belas Artes de São Paulo, o primeiro Cristo Redentor do Brasil.


Com 16 metros de altura, a imagem passou a dominar a vista da cidade e rapidamente conquistou os moradores. Para muitos, a obra simbolizava uma aproximação entre a Igreja e o Estado. A partir de então, a colina deixou de ser apenas um ponto elevado da cidade e se transformou em espaço de encontros, procissões, festividades e passeios. Hoje, cem anos depois, o Cristo Redentor permanece como um dos principais cartões-postais de São Cristóvão e é um símbolo de fé para quem vive ou visita a cidade.



Segundo Vera Lúcia, que é escritora e trabalha no Arquivo Público de São Cristóvão, a estrada do Cristo Redentor foi um dos primeiros acessos ao Centro Histórico para o primeiro Festival de Artes de São Cristóvão em 1972. Ela, que cresceu na cidade, afirmou que o lugar é bastante significativo para os moradores. “Quando eu era menina eu ia muito para lá para piqueniques, ficar com amigos e tocar violão, assistir ao pôr do sol. É um espaço que está na memória de muitos são-cristovenses”.


Fé, paisagem e memória


A paisagem é bastante acolhedora e consegue fugir do barulho presente na cidade abaixo do morro, trazendo um silêncio convidativo, além de dar vista privilegiada para a cidade e seu centro histórico. À base do Cristo é presente a imagem de Nossa Senhora da Piedade, que eleva a visão religiosa da escultura. O local é cercado por árvores e divide espaço com duas torres de telefonia e uma pequena área com brinquedos para crianças, além de um prédio abandonado que será demolido e entrará em reconstrução para poder ser utilizado.



Em 2021 o monumento foi declarado pela Assembleia Legislativa de Sergipe como patrimônio histórico, cultural e material do estado, pelo Projeto de Lei 21°/2021. Em julho de 2025, o Cristo recebeu um painel produzido pelo Mestre Nivaldo Oliveira, representando a Romaria de Nosso Senhor dos Passos, estando localizado próximo à escada que dá acesso à estátua. 


Ana Lúcia, e moradora de São Cristóvão, afirmou que desde criança participa da Festa Cristo Rei, uma solenidade católica que celebra Jesus como o Rei do Universo, ocorrendo no último domingo do ano litúrgico. Na celebração, os fiéis saem da Praça da Matriz, normalmente pela madrugada, em direção ao Cristo Redentor e lá fazem a celebração da Santa Missa. “Faz parte da minha vida. Eu sinto muito a presença de Deus, pois é tudo muito divino. O clima, a paz e a paisagem são muito bem casados aqui”. No domingo, dia 23 de novembro, ocorreu a Festa de Cristo Rei de 2025 que coincidiu com o último dia do FASC, deixando o evento ainda mais especial para o povo da cidade. 

A própria escadaria em si simboliza para os fiéis católicos um ato de sacrifício, no qual o fiel sobe os degraus como se estivesse em uma jornada em direção ao próprio Jesus. O local é um dos maiores atrativos da cidade e proporciona um importante papel no turismo. Já houveram algumas restaurações ao longo dos anos, sendo a última em 2023. As reformas visam não só proteger o patrimônio como também deixá-lo mais apresentável aos turistas que vão conhecê-lo. O monumento como instrumento cultural 


A guia turística Raquel de Aragão afirma que sempre destaca aos turistas que o Cristo Redentor de São Cristóvão foi o primeiro a ser construído no Brasil e nota a diversidade de pessoas que o visitam, percebendo como ele vem sendo cada vez mais relevante. “As escolas vêm sendo bastante presentes e se mostram mais mobilizadas e os turistas sempre têm aquele olhar mais cultural e curioso e quase sempre envolvidos com a religiosidade”, constatou Raquel.  A turista Luciana é baiana e estava conhecendo São Cristóvão pela primeira vez ao ir visitar sua mãe, que é são-cristovense. Luciana não o sabia da existência do Cristo Redentor da cidade e se surpreendeu ao vê-lo pessoalmente. “Na minha visão era outra coisa, mas quando eu cheguei aqui me surpreendi e me senti até no Rio de Janeiro. Achei muito bonito e vejo que é algo importante para as pessoas da cidade”. 


O Cristo Redentor fez cem anos este ano e é símbolo de fé e cultura, além de ter um imenso peso histórico não só para São Cristóvão como também para Sergipe.

Texto de Ludmila Catarina Fotografias de Ana Clara Silva

Produção e revisão de Eduardo Brito *Esse material foi produzido para o projeto de extensão FASC 360° (DCOS/UFS) - Coordenado pelos professores Demétrio de Azeredo Soster (7057/RS) e Alice Andrade (2538/ RN).




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